Sono
A falta de sono pode gerar alterações comportamentais e físicas, uma vez que o cérebro fica sobrecarregado em função da falta de descanso. Além disso, nesta situação ocorrem diversas alterações: endócrinas, metabólicas, físicas, cognitivas, neurais e modificações na arquitetura do sono, que em conjunto comprometem a saúde e podem gerar efeitos adversos no organismo (ANTUNES et al, 2008).

ZANETTI et al, (2007) observaram em uma amostra de 680 atletas, que em 15% dos casos a qualidade do sono era inadequada, fato que pode prejudicar o rendimento destes indivíduos durante as sessões de treinamento e competições.

Por outro lado, o exercício físico é eficaz na indução do sono, sendo inclusive considerado pela American Sleep Disorders Association como uma forma de intervenção não-farmacológica para a melhoria do sono. Mesmo assim, poucos profissionais da área de saúde têm recomendado e prescrito o exercício físico com este intuito (de MELLO et al, 2005).

Apesar desse benefício, a relação entre a carga de exercício físico e sono não é linear. Na verdade existe uma relação ótima até certo ponto, onde a partir do qual seu efeito sobre o sono passa a ser deletério, fenômeno que também pode ser descrito como curva em forma de “U” invertido como pode ser observado na Figura 1 (MARTINS et al, 2001).

Álcool
Alguns estudos têm mostrado que o consumo moderado de álcool pode produzir efeitos benéficos ao organismo, mais notadamente devido à diminuição de eventos cardiovasculares. Infelizmente o uso moderado de álcool, em muitos casos torna-se difícil de ser mantido, devido a eventos sociais concomitantes (festas, comemorações e interação social).

Após ser consumido o álcool precisa ser metabolizado para posteriormente ser excretado pelo organismo. Porém nesse processo são produzidas diversas substâncias tóxicas ao organismo, que neste caso podem de maneira geral afetar o desempenho físico de um atleta, influenciando aspectos cognitivos (perda de reflexos e equilíbrio e alterações comportamentais). O álcool afeta a química do cérebro, alterando níveis de neurotransmissores, que são substâncias químicas que transmitem os sinais através do corpo, controlando diferentes processos fisiológicos no organismo.

O álcool aumenta os efeitos do neurotransmissor inibitório GABA (ácido gama-aminobutírico) no cérebro, causando os movimentos lentos e a fala enrolada que frequentemente se observam pessoas que consomem muito álcool. Ao mesmo tempo, o álcool inibe o neurotransmissor excitatório glutamato, suprimindo os efeitos estimulantes e levando a um tipo de retardamento fisiológico. Além de aumentar o GABA e reduzir o glutamato no cérebro, o álcool aumenta a quantidade de dopamina no sistema nervoso central, que cria as sensações de prazer.

Os efeitos do consumo de álcool no metabolismo (estoques energéticos, hipoglicemia, desidratação), são causados por diversos mecanismos (BURKE et al, 2003). O álcool de maneira geral possui ação diurética, pois é capaz de inibir o hormônio responsável pela conservação de água no organismo chamado vasopressina, gerando assim um quadro de desidratação, que por si só gera danos ao desempenho físico (GONZÁLEZ-ALONSO et al, 1999). Por outro lado, devido à sua quantidade relativamente alta de calorias (7kcal/g), pode também levar a um aumento de gordura corporal, principalmente se combinado com uma dieta inadequada que normalmente acompanha as bebidas alcoólicas.

Além disso, são bem descrito os efeitos do álcool sobre a qualidade do sono e sua interação com o exercício/treinamento físico, sugerindo que esta estratégia não deva ser utilizada por atletas (VELL & CAMERON-SMITH, 2010).

Como citar:
De acordo com a norma NBR 6023 da ABNT esse post deve ser citado como: CASIMIRO-LOPES G. Efeito da falta de sono e do consumo de álcool no desempenho físico. Blog PenseETreine. Rio de Janeiro, ano 1, junho. 2011. Disponível em: [endereço da URL]. Acesso em: dia mês. ano.

(Publicado originalmente em 26/06/2011)